Uma estudante paraguaia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) se tornou a primeira motorista a atravessar a Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco. A travessia ocorreu na manhã de terça-feira, dia 15, após a liberação do tráfego para veículos de passeio. No dia anterior, segunda-feira (14), a ponte não registrou nenhuma passagem de carros, indicando que a autorização foi aguardada com expectativa pelos moradores da região.
O tráfego na ponte está liberado diariamente das 7h às 13h, atendendo moradores de Foz do Iguaçu, Presidente Franco, Ciudad del Este e Hernandarias. Para realizar a travessia, é imprescindível que o veículo pertença ao motorista ou que haja uma autorização legal do proprietário. Além disso, é necessário apresentar um documento de identificação com foto e o Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço (DTVF), que foi criado para facilitar o trânsito entre as regiões fronteiriças, conforme um acordo do Mercosul.
O DTVF possui validade de cinco anos e apresenta custos distintos para brasileiros e paraguaios. Para brasileiros, a solicitação deve ser feita no Paraguai, com um custo de G$ 234.154, equivalente a cerca de R$ 205. Já os paraguaios podem obter o documento na Polícia Federal em Foz do Iguaçu por R$ 63,85. Essa disparidade nos valores gerou críticas e está sendo analisada pela Comissão Mista Brasil/Paraguai, que discute a equidade nas taxas. A expectativa é que o custo no Paraguai seja reduzido para igualar-se ao preço brasileiro, mas ainda não há uma definição oficial.
Informações da Direção Nacional de Migrações do Paraguai indicam que mais de 7 mil paraguaios já emitiram o DTVF no Brasil, tornando-se aptos a utilizar a nova ponte. Em contrapartida, até o momento, nenhum brasileiro solicitou o documento no Paraguai, o que pode ser atribuído ao custo mais elevado. Para a emissão do DTVF, os brasileiros precisam apresentar passaporte ou documento de viagem, comprovante de residência em nome próprio e certificado de antecedentes criminais dos últimos cinco anos. Após a análise dos documentos, o DTVF é emitido em até 72 horas úteis.
Além dos veículos de passeio, a Ponte da Integração também permite a passagem de caminhões e ônibus, que devem seguir regras específicas. Caminhões de grande porte podem trafegar diariamente entre 18h e 5h. Veículos menores, que estão vazios, podem circular das 7h às 19h, enquanto o retorno carregado deve ser realizado pela Ponte da Amizade. Ônibus urbanos internacionais têm a opção de utilizar a ponte das 7h às 19h, mediante apresentação do DTVF. Já os ônibus de turismo fretados e as linhas regulares internacionais têm acesso à Ponte da Integração durante 24 horas.
Essa nova regulamentação marca um passo significativo na abertura gradual da ligação rodoviária entre Brasil e Paraguai, projetada para aumentar as opções de deslocamento e aliviar a pressão sobre a Ponte da Amizade. A travessia inaugural de veículos leves representa o início de uma fase controlada, que ainda depende da adesão dos brasileiros ao sistema de documentação necessário.