Em junho de 1983, Foz do Iguaçu enfrentou uma das maiores cheias do Rio Paraná, conforme reportagens do jornal Nosso Tempo. O aumento significativo do nível das águas causou sérios danos, submergindo áreas urbanas e deixando muitos moradores sem abrigo. A inundação afetou especialmente as comunidades localizadas em regiões mais baixas, que sofreram as piores consequências da cheia.
As localidades de Monsenhor Guilherme, Marinha, Boicy, Monjolo e Cemitério foram duramente atingidas, com moradias e barracos de pescadores sendo completamente encobertos ou arrastados pela força da correnteza. O avanço das águas também prejudicou empreendimentos e pontos turísticos, como a serraria próxima à Ponte Internacional da Amizade e o Cataratas Iate Clube, que ficaram submersos.
A equipe do jornal Nossa Tempo realizou uma cobertura das áreas afetadas, utilizando pequenas embarcações para documentar os danos e coletar depoimentos de moradores. Os relatos revelaram o desespero de famílias que perderam suas casas e seus bens. Nélida Ledesma, viúva e mãe de dois filhos, viu seus poucos pertences serem guardados em uma construção abandonada, enquanto Maria Edith Lopes, que vive na mesma comunidade e tem cinco filhos, expressou sua preocupação com a situação de sua residência cercada pelas águas.
No Boicy, o desempregado Leonardo Antônio de Melo e seus vizinhos enfrentaram a mesma realidade, com seus barracos sendo invadidos pela enchente. A edição do jornal que documentou esses eventos foi publicada entre os dias 16 e 22 de junho de 1983, capturando o drama humano e ambiental da cheia.
Para preservar a memória coletiva desse evento marcante, o Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu disponibiliza ao público um acervo de aproximadamente 20 mil documentos em PDF, que retratam a história da cidade e publicações de 21 jornais editados desde 1953. O museu oferece acesso gratuito a essas informações, contribuindo para a lembrança das dificuldades enfrentadas pela população durante a cheia do Rio Paraná.