Demandas por Acesso à Cultura Revelam Desigualdade no Brasil

Uma pesquisa indica que a ampliação do acesso gratuito a atividades culturais é a principal reivindicação da população. Desigualdades no acesso à cultura são evidenciadas, destacando a influência da renda e escolaridade.
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Um estudo recente aponta que a principal reivindicação dos brasileiros em relação à cultura é a ampliação do acesso gratuito a eventos como shows, cinemas e teatros. A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio do Datafolha, revela que 42% dos entrevistados consideram essa ampliação como prioridade nas políticas públicas para o setor.

A pesquisa também destaca as desigualdades significativas no acesso à cultura no país. Embora o direito à cultura seja garantido pela Constituição Federal e reconhecido por 68% da população, a participação em atividades culturais é desigual e varia conforme a renda e a escolaridade. Enquanto 97% das pessoas das classes A e B participaram de alguma atividade cultural presencial nos últimos 12 meses, esse índice é de apenas 82% para as classes D e E.

As diferenças se acentuam em relação a atividades específicas. No cinema, por exemplo, 63% dos entrevistados das classes mais altas afirmaram ter ido a uma sessão no último ano, enquanto apenas 18% dos brasileiros das classes D e E relataram o mesmo. Além disso, um terço dos participantes declarou não ter acesso a equipamentos culturais, como cinemas, teatros e museus, em sua região.

O custo é apontado como o principal obstáculo ao acesso à cultura. Aproximadamente 35% dos entrevistados mencionaram que as despesas com ingressos e deslocamento são desestimulantes. Entre aqueles que frequentam atividades culturais, 46% afirmam gastar até R$ 100 por mês com cultura.

A insegurança também se destaca como uma barreira significativa. Cerca de 30% dos entrevistados evitam atividades culturais presenciais devido ao medo da violência. O receio de assaltos e furtos nas proximidades dos eventos foi mencionado por 47% dos participantes, enquanto 43% indicaram a falta de policiamento como um problema. A preocupação com assédio e violência contra mulheres em espaços culturais aumentou, sendo identificada por 27% dos entrevistados, com 38% entre as mulheres.

Além da demanda por mais atividades culturais gratuitas, os brasileiros também defendem a criação de novos equipamentos culturais públicos (32%), a modernização dos espaços existentes (28%), o incentivo à produção cultural independente (26%) e o fortalecimento de ações culturais em favelas, periferias e comunidades tradicionais (22%).