Medida governamental visa estimular a produção doméstica, mas analistas apontam pressão dos EUA como o real motivador por trás da decisão.
México aprova aumento de tarifas para produtos da China e outros países, buscando impulsionar a indústria local, mas sob influência das negociações com os EUA.
O Congresso mexicano aprovou, na última quarta-feira (10), a maior parte dos aumentos tarifários propostos pelo governo para mais de 1.400 produtos importados. A medida atinge principalmente itens da China e de outros países que não possuem acordos de livre-comércio com o México.
A aprovação ocorreu após votações na Câmara dos Deputados e no Senado, controlados pelo partido governista Morena, da presidente Claudia Sheinbaum, que defende a necessidade das tarifas para estimular a produção doméstica.
Contrariando a justificativa oficial, analistas de mercado e especialistas em comércio internacional apontam que o real motivo por trás da decisão está ligado às negociações em curso com os Estados Unidos, o principal parceiro comercial do México. Sheinbaum estaria buscando obter alívio para as tarifas remanescentes impostas às exportações mexicanas pelo governo Trump, que tem acusado a China de utilizar o México como uma “porta dos fundos” para o mercado americano.
Os aumentos tarifários do México, que podem chegar a 50%, afetarão uma vasta gama de produtos, incluindo têxteis, calçados, eletrodomésticos, veículos e autopeças, com implementação prevista a partir de janeiro. A China será o país mais impactado, dada a expressiva importação mexicana de US$ 130 bilhões em produtos chineses em 2024, volume superado apenas pelas compras vindas dos EUA. Pequim, inclusive, já havia criticado os aumentos tarifários quando foram anunciados em setembro.
Impacto nas Relações Comerciais e Economia Doméstica
Oscar Ocampo, diretor do Instituto Mexicano para a Competitividade (IMCO), reforça essa perspectiva. “A verdadeira razão está ligada aos EUA, à revisão do USMCA que se aproxima e às negociações para obter reduções ou isenções das tarifas que o México enfrenta para acessar o mercado americano”, afirma, referindo-se ao acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá.
Atualmente, o México ainda enfrenta tarifas dos EUA nos setores automotivo, de aço e de alumínio.
Para Ocampo, a postura do México representa uma “direção errada” na política comercial do país, cedendo à imprevisibilidade do presidente americano, Donald Trump. Ele alerta que as novas tarifas podem criar rupturas significativas nas cadeias de suprimentos e pressionar a inflação, em um momento de desaceleração econômica.
Setores como autopeças, plásticos, químicos e têxteis estão entre os mais vulneráveis aos impactos negativos dessa nova política.