Os empresários Samara Martins e Thiago Stabile estão agendados para prestar depoimento nesta sexta-feira (31/7) na Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, em São Paulo. Eles são sócios da influenciadora digital Virginia Fonseca e do empresário chinês Chaopeng Tan na marca de cosméticos Wepink. A convocação ocorre no âmbito de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo (PCSP) que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com os documentos que fazem parte do inquérito policial, no dia 16 de julho, a PCSP emitiu ordens para localizar o casal e determinar que se apresentassem à Deic de Santos para fornecer esclarecimentos sobre a suposta “empreitada criminosa”. O foco das investigações está em Karen de Moura Tanaka Mori, identificada no meio criminal como a “Japa do PCC”. Ela é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, que foi um dos líderes mais destacados do PCC na Baixada Santista, morto em 2018 durante um conflito interno da organização.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil indicam que Karen estaria utilizando recursos provenientes do tráfico de drogas, tanto nacional quanto internacional, para financiar negócios em setores como beleza, imóveis e empresas de fachada, com o intuito de mascarar a origem dos capital. Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro”, fazia parte do alto escalão do PCC, integrando a chamada Sintonia Final do grupo criminoso. Este setor é responsável pela tomada de decisões estratégicas da facção, incluindo ordens de execuções, gerenciamento do tráfico de armas e drogas, além da autorização de operações financeiras significativas.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa de Virginia Fonseca e aguarda uma resposta para complementar as informações sobre o caso. A situação revela um panorama complexo de como o crime organizado pode se infiltrar em negócios legítimos, utilizando-os como fachada para atividades ilícitas.
A investigação em curso destaca a importância do trabalho da Polícia Civil na desarticulação de redes de lavagem de dinheiro que sustentam organizações criminosas como o PCC, evidenciando a necessidade de um olhar atento sobre o envolvimento de figuras públicas em questões que podem comprometer a segurança pública e a integridade de setores comerciais.