A dor da perda: história de uma mãe após a tragédia de Brumadinho

Helena Taliberti, que perdeu filhos e neto no rompimento da barragem da Vale, relembra a tragédia que mudou sua vida e clama por segurança nas barragens.
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Em 25 de janeiro de 2019, Helena Taliberti, atualmente com 69 anos, estava na Avenida Paulista, em São Paulo, durante o feriado de aniversário da capital paulistana. Enquanto visitava o Museu de Arte de São Paulo (Masp), recebeu a notícia sobre o rompimento de uma barragem, mas não se preocupou inicialmente, pois não conhecia a região afetada. Seus filhos estavam em Minas Gerais, visitando o museu Inhotim, e, a princípio, ela não imaginou que algo pudesse ter acontecido com eles.

Com o passar das horas, a apreensão de Helena aumentou. Ela começou a enviar mensagens para os filhos, mas não obteve resposta. Ao final da tarde, sem conseguir contato, a preocupação se tornou insuportável. Helena decidiu viajar para Belo Horizonte em busca de notícias, sem saber que cinco membros de sua família estavam entre as 272 vítimas da tragédia em Brumadinho, na Região Metropolitana da capital mineira.

A tragédia, resultante do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, deixou um saldo trágico de mais de 270 mortos. Na família de Helena, as perdas foram significativas: seus filhos Camila e Luiz Taliberti, de 33 e 31 anos, respectivamente; sua nora, Fernanda Damian, de 30 anos, que estava grávida de cinco meses; e seu ex-marido, Adriano da Silva, de 61 anos, além de sua esposa, Maria Lourdes Bueno, de 58 anos.

Seis anos após o acidente, Helena relembra sua filha Camila, uma advogada engajada na defesa dos direitos humanos e preocupada com questões ambientais. Luiz, por sua vez, era arquiteto e compartilhava da mesma sensibilidade social. A tragédia impactou não apenas a família, mas também a sociedade, que vive o temor de novas situações semelhantes.

Recentemente, moradores de Conceição do Mato Dentro e Dom Joaquim, na Região Central de Minas Gerais, protestaram após acionamentos indevidos de sirenes de emergência de uma barragem. É importante ressaltar que mais de 400 pessoas residem em áreas que precisam ser evacuadas em caso de emergência. Atualmente, Minas Gerais concentra um terço das barragens em alerta ou emergência no Brasil, com 28 das 87 estruturas nessa condição.

Helena defende que as pessoas que vivem próximas a barragens devem receber informações claras sobre a segurança das estruturas e acesso a assistência psicológica, médica e financeira. Para ela, é fundamental que tragédias como a de Brumadinho sejam evitadas a todo custo.