Documentário revela a estratégia do Exército israelense em conflito com o Hamas

O documentário Naza, de Yuval Abraham e Rachel Szor, expõe a utilização de Inteligência Artificial pelo Exército de Israel para realizar ataques em Gaza e a questão dos civis mortos durante as operações militares.
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No dia 7 de outubro, foi lembrado o ataque do Hamas a Israel, que resultou em 1.200 mortes e no sequestro de 251 pessoas. Este dia é marcado por um sentimento de respeito às vítimas e à comunidade judaica. No dia anterior, 6 de outubro, foi exibido o documentário Naza, dirigido pelos israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, que apresenta depoimentos de 24 integrantes das forças armadas e do Serviço de Inteligência sobre suas ações em Gaza e o uso de Inteligência Artificial durante os conflitos.

O filme, premiado com o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza, revela que o governo de Netanyahu está envolvido em crimes de guerra e contra a humanidade. Inicialmente, a obra pode ser mal interpretada como uma associação entre os nazistas e a situação em Gaza, mas Naza é uma derivação do termo hebraico “Nezek Agavi”, que se refere a danos colaterais, sendo a terminologia utilizada pelos soldados para descrever civis mortos em bombardeios.

O documentário provoca reflexões sobre a narrativa comum de que o Hamas utiliza escudos humanos para proteger suas lideranças. A obra apresenta depoimentos que sugerem que as mortes de civis são não apenas imprevistas, mas sim calculadas e consideradas aceitáveis antes da realização de ataques.

Após o ataque de 7 de outubro, o Serviço de Inteligência israelense passou a empregar Inteligência Artificial para monitorar as comunicações e a localização de celulares palestinos, facilitando a identificação de líderes do Hamas. A estratégia revela que o Exército optou por realizar os ataques durante a noite, quando os alvos estavam em suas residências. De acordo com o documentário, a morte de civis é uma consequência previsível e aceita, evidenciada pelo fato de que uma simples mensagem de uma criança informando que o pai está em casa pode acionar a autorização para o ataque.

O filme também destaca que, a partir de Tel Aviv, soldados israelenses coordenam bombardeios e ataques com drones. Em resposta à obra, as Forças de Defesa de Israel (FDI) emitiram uma nota afirmando que a narrativa apresentada no documentário contém “erros factuais significativos” e que as representações são manipuladas e enganosas, resultando em uma imagem distorcida sobre suas ações.

Recentemente, o clima em Israel tem se tornado hostil para aqueles que se opõem às políticas do governo, com relatos de agressões físicas e ameaças direcionadas a intelectuais e artistas críticos. Yuval Abraham e Rachel Szor, que também dirigiram o documentário Sem Chão, que ganhou o Oscar de melhor documentário, manifestaram a intenção de distribuir Naza amplamente em Israel, apesar das dificuldades enfrentadas. Abraham reafirmou o compromisso de levar o filme a diversas salas de cinema no país, ressaltando a importância de compartilhar essa narrativa.