A pecuarista Ana Luiza Junqueira Vilela recebeu uma condenação judicial por degradar uma Área de Preservação Permanente (APP) em sua fazenda localizada em Pirapozinho, na região de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Em decisão proferida no dia 8 de setembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a sentença do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Ana Luiza é proprietária da Fazenda Junqueiravi, que faz divisa com a Usina Hidrelétrica Taquaruçu, situada no Rio Paranapanema. A construção da usina resultou na formação de um lago artificial, exigindo a criação de uma faixa de terra protegida ao redor do açude. Aproximadamente 700 m² dessa área de proteção está inserida na propriedade de Ana Luiza, que, apesar disso, continuou com atividades de criação e engorda de gado, além de serviços agronômicos.
Como parte da condenação, Ana Luiza foi obrigada a interromper a exploração da área, isolar a porção cultivada, corrigir o Cadastro Ambiental Rural e apresentar um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD). O descumprimento dessas determinações pode resultar em multas de R$ 10 mil. A pecuarista recorreu da decisão, mas a sentença foi mantida pelo STJ.
Ana Luiza é filha de Antônio José Junqueira Vilela, um pecuarista de destaque associado ao desenvolvimento do gado Nelore, a principal raça bovina de corte no Brasil. Desde a década de 1970, Antônio José tem sido uma figura importante na expansão da fronteira agropecuária, especialmente no Mato Grosso. A família, que também inclui Ana Paula e Antônio José Junqueira Vilela Filho, se destacou no setor agropecuário e no mercado financeiro, mantendo vínculos com a elite paulistana.
Em junho de 2016, a família foi investigada na Operação Rios Voadores, que envolveu a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o IBAMA e a Receita Federal. Durante a operação, Antônio José Junqueira Vilela Filho foi identificado como líder de um esquema de desmatamento ilegal e grilagem de terras, além de estar ligado a práticas de trabalho análogo à escravidão. Ele é conhecido por ter recebido diversas multas do IBAMA.
Ana Luiza e sua irmã eram sócias em empresas localizadas em áreas nobres de São Paulo, onde movimentavam recursos provenientes da venda de gado e terras. Ricardo Caldeira Viacava, ex-marido de Ana Luiza, também foi implicado como operador financeiro do esquema. A pecuarista foi presa ao retornar de uma viagem aos Estados Unidos, mas obteve liberdade por meio de um habeas corpus.