O candidato à presidência da República Augusto Cury, do Avante, manifestou-se sobre a recente proibição das apostas no Brasil, imposta por Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente e candidato à reeleição pelo PT. Em uma coletiva de imprensa realizada na manhã de 28 de setembro em São Paulo, Cury afirmou que Lula estaria "usando a dor das pessoas para ganhar votos" com a edição da Medida Provisória que proíbe as bets, a apenas nove dias do primeiro turno das eleições de 2026.
Cury comparou o vício em apostas a dependências químicas, como a de substâncias ilícitas, e defendeu a implementação de restrições mais severas sobre as casas de apostas, sugerindo que impostos que variem entre 50% e 60% deveriam ser aplicados. "Gera dependência? Então, tem que pagar altíssimo imposto, ou então eliminá-la. Mas do jeito que ele está fazendo, reitero, Lula está preocupado muito mais com a perpetuação do poder do que a condição emocional e a saúde biológica das pessoas deste país", afirmou o candidato.
A Medida Provisória assinada por Lula entrou em vigor em 25 de setembro, após publicação em edição extra do Diário Oficial da União. Durante a apresentação, o presidente destacou que a partir daquela data, não seria mais permitido realizar depósitos em sites de apostas, permitindo apenas que os apostadores realizassem o resgate de seus saldos até as 23h59 do dia 5 de outubro. Após essa data, as plataformas de apostas serão desativadas.
Os bancos serão responsáveis pela devolução dos valores aos apostadores que não conseguirem resgatar seus saldos dentro do prazo, com a restituição programada para ocorrer entre 9 e 14 de outubro. A nova regra também se aplica a cassinos virtuais, como o "Jogo do Tigrinho".
Além da Medida Provisória, o governo anunciou um projeto de lei voltado para a repressão aos jogos de azar no país. Lula enfatizou a urgência da ação, afirmando que a sociedade estava desprotegida e que as apostas online se tornaram uma forma de cassino que invadiu as casas brasileiras. "Isso [apostas] é como um câncer. Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente", declarou.
A medida ainda precisará passar pelo Congresso Nacional, onde deverá ser votada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal dentro de um prazo de 120 dias para se tornar lei definitiva.