Patrimônios de candidatos de Minas Gerais incluem valores exorbitantes e indícios de erros

Candidatos a cargos eletivos em Minas Gerais apresentaram declarações de bens com valores incompatíveis, incluindo Uma Ford F-250 avaliada em R$ 110 milhões e um HB20 de R$ 54,3 milhões. Levantamento aponta erros de preenchimento nos dados.
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Em Belo Horizonte, candidatos de Minas Gerais estão sob suspeita após a apresentação de declarações patrimoniais que revelam valores incompatíveis com os bens listados. Entre os itens declarados, destaca-se Uma Ford F-250 de 2004 com valor declarado de R$ 110 milhões, além de um HB20 avaliado em R$ 54,3 milhões e dois apartamentos que juntos totalizariam R$ 242 milhões. O levantamento realizado identificou um padrão em que os valores dos bens, como automóveis e imóveis, parecem ter sido multiplicados por mil, levantando indícios de erros no preenchimento das declarações.

A declaração de bens é uma exigência para todos os candidatos nas eleições, permitindo que os eleitores conheçam os patrimônios e acompanhem a evolução patrimonial de quem já participou de pleitos anteriores. As informações devem ser inseridas pelos próprios candidatos ou seus representantes e enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso haja erros, a responsabilidade de solicitar a correção recai sobre a candidatura.

Um grupo de quatro candidatos a deputado estadual pelo PDT destaca-se por concentrar cerca de R$ 700 milhões em bens com valores que parecem estar incorretos. Alvamiro Alves, conhecido como Branco, declarou um lote com casa e garagem no bairro Serra Dourada, em Ibirité, por R$ 400 milhões. Em contraste, na eleição de 2024, o mesmo candidato havia declarado uma casa no valor de R$ 55 mil. Os outros três candidatos da mesma sigla apresentaram apenas veículos, que somam cerca de R$ 300 milhões.

Luizinho Abacaxi, também do PDT, incluiu em sua declaração a mesma caminhonete Ford F-250, mas com um valor incompatível, já que na eleição anterior havia sido declarada por R$ 110 mil. Outro candidato, Sergio Cassemiro, do Democratas, reportou dois apartamentos com valor total de R$ 242 milhões, sendo um deles em Belo Horizonte avaliado em R$ 200 milhões e outro na região da Rodovia Fernão Dias por R$ 42 milhões. Em 2024, Cassemiro não havia declarado nenhum bem à Justiça Eleitoral.

O caso mais extremo envolve o candidato ao Senado, Juíz Ramon Moreira, do DC, que declarou um patrimônio de R$ 939,6 milhões, com R$ 926,3 milhões representados em dois saldos bancários: um de R$ 780,4 milhões e outro de R$ 145,9 milhões. Se esses valores forem de fato multiplicados por mil, o patrimônio real do candidato cairia para aproximadamente R$ 14,2 milhões, o que se alinha mais aos R$ 13,5 milhões que Ramon havia declarado nas eleições de 2022.

Os oito candidatos foram contatados para esclarecer as discrepâncias nos valores apresentados e informar se irão solicitar a correção dos dados junto à Justiça Eleitoral. O espaço permanece aberto para suas manifestações.